HISTÓRIA DA CIDADE

O Habitante Primitivo de Caraguatatuba

Os Gueromimis

Desde o século XVI, todos os registros referentes aos índios Gueromimis, apresentam diferentes denominações para designá-lo. Temos por exemplo: Maromomis, Miramumis e Guaromomins.

Os Gueromimis, que pertenceram ao grupo Tapuia, migraram para várias regiões buscando áreas mais seguras para a sua sobrevivência, fugindo da repreensão dos colonizadores e de outros grupos guerreiros. Dentre as áreas de refúgio, uma se destacava pelas suas condições extremamente  favoráveis: o Litoral Norte.

No decorrer do século XVI, esses nativos passaram a dominar a região de Caraguatatuba, fugindo do avanço da população branca. Nesta região concentrou-se o maior número de aldeias Gueromimis. A partir daí, a região passa a ser conhecida como “Enseada dos Gueromimis”.

No início do século XVII, os primeiros sesmeiros passaram a adquirir terras na região de Caraguatatuba.

Provavelmente, no final do século do século XVII, os Gueromimis já haviam desabitado as terras de Caraguatatuba, pois não se tem conhecimento de registros desses primitivos neste período.

Origem do Nome

No século XVI, os Tupinambá já habitavam primitivamente o território da enseada de Caraguatatuba. Neste período, o sítio ficaria conhecido como terra abundante em Caraguatás.

A planta bromeliácea de cujas fibras os padres missionários confeccionavam suas sandálias, deu origem a denominação “Caraguá”, corruptela de “caraguatá” e “tuba”, grande  quantidade.

O Município de Caraguatatuba continua sendo uma região abundante em Caraguatás os quais são facilmente encontrados em meio às matas, sobrevivendo em lugares úmidos.

Breve histórico de Caraguatatuba

Caraguatatuba começou a ser povoada no início do século XVII, através das Sesmarias. A 1ª que se conheceu ocupou a bacia do Rio Juqueriquerê, em 1609, foi doada aos antigos moradores de Santos, Miguel Gonçalves Borba e Domingos Jorge. A partir dessa data, começou a surgir o primeiro povoado da vila de Santo Antônio de Caraguatatuba.

Em 1664/1665, ocorreu a fundação de Caraguatatuba e seu fundador foi Manuel de Faria Dória, provavelmente Capitão-Mor da Capitania de Itanhaém.

Em 1693, um violento surto de varíola vitimou parte da população da vila, o restante dirigiu-se para a cidade de Ubatuba e São Sebastião, ficando então o local conhecido como a “vila que desertou”. Devido a epidemia que se abateu sobre o povoado, o pequeno vilarejo ficou deserto, permanecendo somente a capelinha de invocação a Santo Antônio. Décadas depois, a Vila de Caraguatatuba foi sendo repovoada.

Em 27 de setembro de 1770, Santo Antônio de Caraguatatuba foi elevado à condição de vila, sem emancipação político-administrativa.

Em 1847, Caraguatatuba foi elevada à condição de “freguesia” e em 1857, foi elevada, novamente, à categoria de vila tendo, nesta data,  sua emancipação político–administrativa, deixando de pertencer  ao Município de São Sebastião. Foi reconhecida como estância balneária em 1947.

No início do século XX, a maior parte dos moradores da cidade habitavam a zona rural em agrupamentos de pescadores distribuídos pelas praias.

Em 1910, a vila de Caraguatatuba possuía 3.562 habitantes e em 1927 contava apenas com uma praça e poucas ruas.

O ano de 1927 marcou o início das atividades da Fazenda São Sebastião, que passou a ser conhecida como “Fazenda dos Ingleses”.

Desde seu início, a Fazenda dos Ingleses dedicou-se a bananicultura e a citricultura para exportação exclusivamente para a Inglaterra.

Uma rede ferroviária interna que chegou a atingir 120 quilômetros de extensão, incluindo 40 ramais, foi de vital importância para a implantação do projeto agrícola.

Toda a produção era escoada para o cais particular situado no Bairro Porto Novo, de onde se fazia o transporte até o canal de São Sebastião, em frente à Ilhabela, por uma frota de sete lanchas e rebocadores que conduziam vinte chatões com capacidade de 55 toneladas cada um, de propriedade da companhia de Fomento Mercantil. No canal, os navios da companhia Blue Star Line aguardavam a chegada dos chatões para o transbordo da carga e seu transporte para até um dos portos da Inglaterra.

Suas atividades se encerraram em 1967 quando ocorreu a grande catástrofe (tromba d’água) que destruiu parte da cidade. Posteriormente a Fazenda foi vendida a Serveng Civilsan. A Fazenda Serramar, antiga Fazenda dos Ingleses, passou a atuar exclusivamente no ramo pecuário.

Com o crescimento da população, novos bairros e estradas foram surgindo.

No ano de 1938, começaram as ligações rodoviárias entre o Vale do Paraíba e Litoral Norte. Nesta data, foi inaugurado o trecho entre São Sebastião e Caraguatatuba.

Em 1939, a estrada que liga Paraibuna à Caraguatatuba foi aberta ao tráfego e, em 1955, a ligação de Caraguatatuba á Ubatuba.

Na década de 50, o número de turista aumenta e o turismo na região começa a se desenvolver.

A CATÁSTROFE DE 1967


Em 18 de março de 1967, aconteceu em Caraguatatuba uma das maiores catástrofes registradas na história da região do Litoral Norte.

Uma violenta chuva caiu sobre as a cidade. Os morros deslizaram empurrando um mar de lama vermelha, árvores e gigantescas pedras, destruindo tudo a sua passagem. Centenas de seres humanos e animais foram soterrados, afogados e esmagados pelos troncos e pedras. A energia elétrica foi interrompida, cessaram as comunicações, a cidade se encontrava em estado de calamidade pública. As cidades brasileiras se mobilizaram mandando equipes de salvamento, alimentos e medicamentos que chegavam através de aviões e navios para serem distribuídos para os flagelados.

Nos anos que se seguiram, com a ajuda da brava gente caiçara, Caraguatatuba foi sendo reconstruída e a partir da década de 70, já apresentava um crescimento populacional acelerado, o que ocasionou na década de 80, a ocupação dos núcleos de pescadores, acabando por prejudicar as famílias caiçaras. Suas terras, herdadas através de gerações, foram, aos poucos, saqueadas para ceder lugar às novas construções, sufocando toda uma cultura.

Na década de 90, o número habitacional e populacional continuou crescendo, ocupando áreas de riscos, como as encostas de morros, provocando ocupação desordenada no município.

FONTE: MACC – MUSEU DE ARTE E CULTURA DE CARAGUATATUBA ARQUIVO PÚBLICO DO MUNICÍPIO DE CARAGUATATUBA “ARINO SANT´ANA DE BARROS”

LIVRO: SANTO ANTÔNIO DE CARAGUATATUBA – MEMÓRIAS E TRADIÇÃO DE UM POVO

Luzia de Toledo Prado
Historiadora

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